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Minha esposa é adepta de outra religião. Nosso filho poderá ter dificuldade em escolher sua própria religiosidade?

Sou casado e minha esposa é adepta de outra religião. Ela teme que, pelo fato dos pais seguirem diferentes religiões, nosso filho possa experimentar certa desorientação e dificuldade para escolher e exercer sua própria religiosidade. Estabelecemos então que ele iniciaria frequentando a religião da minha esposa e, ao atingir uma idade mais madura, teria liberdade para fazer sua própria opção. As diferenças de entendimento religioso, porém, causam confusão em torno de temas como a reencarnação, a figura de Satanás, céu e inferno, entre outros. Qual seria a melhor saída para alcançarmos aprendizado através de diferentes linguagens e interpretações?

Antigamente os pais escolhiam o cônjuge do filho ou da filha. Mahatma Gandhi relata, com tristeza, no livro clipping Gandhi por Ele Mesmo, sua experiência pessoal no tocante a este costume que infelicitou tanta gente. (Editora Martin Claret).

Hoje em dia, não há dúvida de que nenhum de nós aceitaria isso de nossos pais. É certo também de que não tentaríamos impor isto aos nossos filhos. Por outro lado, sabemos que nós, pais, gostaríamos que nossos filhos seguissem a religião que escolhemos livremente para nós mesmos. Apreciamos a nossa liberdade de escolha, mas gostaríamos que eles não escolhessem uma religião diferente da nossa. Seu plano de deixá-lo escolher livremente é o ideal, pois o mais importante são os valores morais que ele irá adquirir e não o rótulo religioso.

Se você ainda não viu, sugerimos que você assista ao filme Gandhi, em família, e veja o custo das divergências religiosas e a sugestão de Gandhi ao homem que diz viver no inferno.

Entendemos que é muito importante respeitar a opinião de sua esposa, pois o comportamento é fruto de valores e princípios com os quais crescemos. Se o seu filho crescer com valores religiosos sólidos, pouco importa o rótulo que eles tenham. Um dia ele irá lhe perguntar por que você não frequenta a igreja dele e da mãe e então você terá a oportunidade de dizer que ama a mãe dele e por isso a respeita, mesmo tendo ideias religiosas diferentes. Com o tempo e paciência, você poderá introduzir em seu lar o estudo de história da filosofia, a partir de livros como O Mundo de Sofia e outros sobre filosofia que recomendamos na seção ALIMENTO ESPIRITUAL da revista SER Espírita. Se a sua esposa ler, pode ser que, dentro de alguns anos, ela mesma reavalie algumas das suas crenças e o aprendizado conjunto se intensifique.

Mas se isso não ocorrer, é importante lembrar que como espíritos imortais, somos anteriores a nós mesmos e possivelmente já alimentamos crenças diferentes das que temos hoje e muitos tiveram que ter paciência com a nossa maneira de pensar, falar e agir.

Quanto às ideias de sua esposa:

1) Procure estudar com ela um pouco mais sobre a abrangência das coisas: o universo, a natureza, etc. Isso a levará a entender melhor Deus e a pensar: haveria algum ser que fosse oposto a tudo isso? Faz sentido?

2) Será que por trás da ideia de Satanás não está a tentativa humana de achar alguém para colocar a culpa pelas nossas incoerências? (por que será que este alguém nunca se defende?)

3) Não seria o entendimento de Satanás uma explicação para o que nós ainda não compreendemos ou não conseguimos administrar?

4) Será que o Mal não é o Bem ainda pequeno e que quando crescer em conhecimento será bom?

5) O céu não seria uma condição de bem-estar? E não um local físico?

6) O inferno não seria justamente o contrário, uma condição de mal-estar?

7) Será que da mesma maneira que nos libertamos do mito do Papai Noel, não nos libertaremos um dia do mito do Satanás?

Note que, ao fazer perguntas em lugar de afirmações, você a ajudará, ou ao seu filho, a pensar e descobrir dentro de si uma resposta mais coerente para importantes questões da vida.

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