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Missão mãe

Missão mãe

Quando pensamos em um contexto missionário como um de nossos possíveis fatores reencarnatórios, usualmente imaginamos as grandes – e raras – missões pontuais daqueles indivíduos que fizeram grandes descobertas, foram líderes morais ou de alguma forma foram decisivos em algum momento da história da humanidade. Olvidamos, contudo, que cada um de nós somos de alguma forma missionários e que essas aparentemente pequenas missões que temos que desempenhar ao longo de nossa passagem pela Terra são de extrema importância para o progresso geral.
Tomemos como exemplo a complexa e sublime missão de ser mãe. Ao gestarem uma nova vida que irá reencarnar, as mulheres têm a oportunidade de fazer uma conexão íntima com o Creador e de alcançar um sentido ímpar de plenitude e de vinculação espiritual. Essa ligação que as une com seus filhos não é meramente material  e esse profundo laço de amor permanecerá indefinidamente.
Para poder proporcionar aos seus filhos uma vivência moral e dignificante, essas abnegadas missionárias são capazes de fazer constante e profunda renúncia voluntária priorizando, no mais das vezes, seus filhos acima de qualquer outra coisa. São suas primeiras e melhores professoras, suas mais dedicadas enfermeiras, preocupadas nutricionistas e cozinheiras, juízas com um misto de rigor e ternura sem paralelo, advogadas com dedicação exclusiva à causa de seus rebentos. São, enfim, especialistas e pós graduadas com todas as láureas possíveis em tudo aquilo que for necessário ao pleno desenvolvimento de seus filhos e jamais abandonam o seu labor mesmo quando os filhos já alcançaram autonomia e maturidade.
Mesmo quando não são agraciadas com o necessário reconhecimento, continuam a ser as mais fervorosas fãs e admiradoras de seus filhos ainda que nas mais ínfimas vitórias – muitas vezes sequer notadas pelos outros. Mesmo quando, no exercício de seu livre arbítrio, os filhos optam por um caminho desviante, as mães não os abandonam, pois têm plena consciência desse seu caminho missionário.
São capazes de multiplicar esse amor e essa dedicação a cada um de seus filhos, possuindo a incrível capacidade de particularizar os gestos de aprendizado e afeto às necessidades de cada qual muitas vezes de forma concomitante, sem descurar detenham deles. Em troca de tamanho amor e dedicação não esperam absolutamente nada e não esmorecem nem mesmo nos momentos em que recebem ingratidão de seus maiores beneficiários.
Paradoxalmente, apesar desse evidente e relevante contexto missionário que desempenham, por muito tempo a sociedade relegou a mulher a um papel subalterno e secundário, e, ainda hoje – em que pese todos os avanços já obtidos – muitas vezes essa incrível é admirável tarefa de ser mãe ainda não recebe o necessário reconhecimento.
Felizes daqueles que sabem respeitar suas matrizes, sua origem material e a base de todos os ensinamentos éticos que os norteiam por sua caminhada. Felizes daqueles que dedicam todos os seus dias para que agradecer – ao menos mentalmente, ou com um olhar, ou em suas orações – pelas oportunidades que suas mães lhe proporcionaram. Felizes daqueles que sabem dar valor a essas mulheres que conseguem conjugar todo o seu processo de aprendizado e depuração com a formação e criação de outros indivíduos e que superam a cada instante suas próprias imperfeições para fazer esse olhar de amor e de dedicação plena a outrem.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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