[kads group="topo-1"]


Natal, momento de agradecimento

Na presente data, toda a cristandade celebra o nascimento de Jesus Cristo, que foi – sem qualquer sombra de dúvidas – o indivíduo responsável por encetar a maior transformação moral e espiritual já ocorrida na Terra.
Ao longo deste dia, aproximadamente um terço da população mundial volta seus pensamentos e atitudes exclusivamente para esse momento de confraternização e de união com amigos e familiares, sendo as peculiaridades de cada celebração absolutamente variáveis de acordo com a tradição cultural de cada país.
Em diferentes países (ou mesmo diferentes regiões em um mesmo país) os símbolos e as decorações utilizados são por vezes absolutamente distintos. Em determinados lugares, a própria data da celebração principal também pode variar, iniciando-se alguns dias antes, ou mesmo depois, sendo em alguns lugares comum que o ponto alto das festividades se dê no dia 06 (ou 07) de janeiro.
Como bem se sabe, a celebração em tal data não é exclusividade do cristianismo, eis que deriva de uma série de tradições culturais e religiosas bastante antigas ocorridas especialmente no continente europeu para celebrar o início do inverno.
No século IV da nossa era, a incipiente Igreja católica oficializou esta data como sendo a do nascimento de Jesus como uma estratégia para cristianizar os tradicionais cultos pagãos e com isso fortalecer a nova religião que surgia e conquistar mais fiéis. Gradativamente, muitos dos símbolos dessas crenças antigas foram adaptados a essa versão cristã e ainda subsistem até hoje.
Outros tantos símbolos vieram bem mais tarde, como por exemplo o do ‘papai noel’, cuja imagem ora conhecida por todos foi criada por uma fábrica de refrigerantes como forma de divulgar as cores de seu rótulo tendo por certo um fortíssimo apelo comercial. É de se notar, inclusive, que em vários outros países há diferentes personagens legendários que fazem as vezes do ‘papai noel’, como por exemplo a bruxa Befana que traz presentes às crianças da Itália em 06 de janeiro.
Em meio a tantos símbolos e tradições com os significados mais diversos, bem como ao forte apelo materialista que se convencionou atribuir a essa data, é cada vez mais comum deixarmos de lado o significado que – ao menos para nós cristãos – é o mais importante de todos: o de celebrar o nascimento de Jesus Cristo.
Pouco importa se esta é ou não a data precisa do nascimento de Jesus, até porque é sabido que a narrativa de seu nascimento é lacônica e que ao longo de nossa história houve várias adaptações dos calendários. Depois de decorridos tantos séculos, especular sobre a data exata já se tornou algo completamente sem sentido.
O que devemos procurar fazer é resistir aos apelos exclusivamente materialistas atrelados a essa data e unir esforços para prestar as devidas homenagens a essa figura absolutamente extraordinária que foi Jesus.
Aliás, cabe lembrar que o Espiritismo não tem ritos, símbolos e festividades, sendo certo que aos espíritas – mais do que a qualquer outro – cabe a obrigação de buscar aproveitar esse momento para realizar uma integração com as lições de Jesus.
Sua mensagem, apesar de aparentemente simples, é de extrema profundidade e trouxe à humanidade um norte, um caminho a ser seguido nessa nossa incessante busca pela compreensão das razões de nossa existência. Conquanto tenha sido o mais humilde dos homens, seus ensinamentos são de uma força profunda, e ecoam em cada um de nós até os presentes dias (em boa parte ainda não compreendidos e aplicados em sua plenitude).
Mas como fazer para homenagear essa figura tão magnífica? Qual seria a celebração digna de sua grandeza? Como podemos expressar nosso contentamento por sabermos que um espírito assim tão elevado passou pela Terra com a missão de mostrar o caminho do bem aos demais?
Certamente não será através de luxo e ostentação. Certamente não será pelos faustosos banquetes que costumamos promover. Certamente não será através da simples troca de presentes, muitas vezes dados por mera obrigação. Certamente não será através de festas e bebedeiras. Certamente não será através de símbolos que – como vimos – nada tem a ver com a mensagem de Jesus.
A melhor forma de prestarmos nossa deferência é tentando seguir seu exemplo, tentando pautar nossas vidas nas lições por ele trazidas. Devemos então buscar aproveitar esse dia para fazermos uma breve reflexão sobre nossas atitudes a fim de tentar adequá-las aquilo que foi por ele preconizado.
Mais do que isso, devemos aproveitar o presente momento para agradecer. Vamos agradecer o simples fato de termos tanto a agradecer e certamente tão pouco a pedir.
Vamos procurar, doravante, olhar com outros olhos os menos afortunados, seja materialmente, biologicamente ou espiritualmente.
Vamos tentar fazer um olhar mais fraterno sobre a realidade que nos cerca, a fim de que estejamos cada vez mais em harmonia com as leis que regem o Cosmos e, via de consequência, com Deus.
Evidentemente que devemos procurar fazer isso não só no dia do natal, mas também em todos os outros. Mas, neste dia em especial há um contingente populacional de mais de 02 bilhões de pessoas, todas com os pensamentos provavelmente voltados para esse sentido de exaltar as virtudes cristãs.
Avaliem o potencial transformador que há em tantas pessoas pensando e agindo em uníssono no sentido do bem.
Um feliz natal a todos!

Compartilhe:

Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

Todos os Posts de: Rodrigo Fontana França