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Natal – tempo de renovação

Natal – tempo de renovação

     A cristandade se reúne nesse período para – cada grupo segundo suas formas e tradições – bradar em uníssono toda a gratidão e o contentamento que sentem pela passagem de Jesus na Terra. Este ser da mais elevada estatura moral e de um avançado grau evolutivo foi capaz de – pela simples força de seu exemplo – encetar a mais substancial transformação já vivenciada pela humanidade, sendo fácil percebermos que essa revolução já perdura por mais de dois milênios e continua a se operar diariamente.
     Ao celebrarmos o nascimento de Jesus, precisamos estar atentos para não olvidarmos o fato de estarmos homenageando o mais humilde dos indivíduos, que nos ajudou a despertar para a percepção de um Deus de amor, para a importância e abrangência da caridade e para a realidade espiritual. Jamais pediu nada em troca e pagou com a própria vida por estimar um mundo de mais compreensão e fraternidade.
     Jesus jamais ordenou que construíssem templos em seu nome, nem que deturpassem sua mensagem para subjugar os menos esclarecidos. Tudo o que fez foi apontar o caminho da transformação e de uma vida plena. Tal como um habilíssimo agricultor, soube lançar as sementes certas, mesmo ciente de que elas demorariam muito para frutificar em todo o seu potencial.
     Sendo o Espiritismo uma religião cristã, por mais que não tenhamos nenhum tipo de datas especiais, nem de ritos ou de simbolismos, é importante aproveitarmos esse momento em que nossa tradição cultural e nosso status fundante nos levam a celebrar juntos daqueles a quem mais queremos bem para refletirmos sobre a importância da mensagem de Jesus e do exemplo por si deixado.
     Ao homenagearmos o nascimento do mestre Jesus, entendemos que a própria ideia de nascimento já remete à renovação, a uma ação transformadora profunda que podemos e devemos tentar operacionalizar em nossas vidas. Ao invés de pensarmos apenas em presentes, banquetes e ostentação, nos parece mais produtivo aproveitarmos para refletir sobre a força da mensagem de Jesus e tentar perceber – cada um de ler si – se estamos conseguindo compreendê-la e aplicá-la em nosso dia-a-dia.
     Soa um tanto ilusório acreditar que esse ser veio à Terra para simplesmente purgar a integralidade de nossas faltas pretéritas e futuras, desde que nos comprometêssemos a segui-lo. O que ele fez foi apontar o caminho para que – cada um a seu tempo e segundo seus esforços e merecimento – todos pudéssemos fazer o despertar de nossas consciências. O que ele fez foi servir como esse norte moral à toda humanidade. O que ele fez foi demonstrar a importância de entendermos a vida em sociedade sob a ótica de uma lei de amor verdadeiro e desinteressado. O que ele fez foi possibilitar que nos transformássemos e realizássemos o aprendizado necessário a partir da internalização de suas lições.
     Nos causa estranheza e perplexidade o fato de uma mensagem assim tão clara, coerente e integradora ter sido alvo de tamanha incompreensão e de tão grandes tentativas de distorção ao longo dos séculos. É chegado o momento de nós começarmos a compreender e aplicar a mensagem rediviva de Jesus, sem floreios, abstrações ou molduras místicas, dogmáticas, sagradas ou esotéricas. Ê tempo de focarmos em seu ensinamento moral e de nos dedicarmos à prática de sua lição transformadora.
     Se o momento é de celebrarmos o nascimento, que seja também de nos comprometermos a render as verdadeiras homenagens práticas de uma vivência efetivamente cristã. Se a oportunidade é de pensarmos em renovação e gratidão, que sejamos capazes de renovar nossas atitudes e pensamentos e agradecermos por termos tanto a agradecer e tantas oportunidades de fazer e de transformar.
     Um bom Natal a todos. Que saibamos e possamos aproveitar o momento de renovação para nos transformarmos de dentro para fora, procurando sempre seguir o exemplo do irmão Jesus.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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