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Nossa crise é moral

Nossa crise é moral

Passamos por um período de intensa e preocupante turbulência em nosso país. Os quatro eixos estruturantes de nossas vidas, o político, o econômico, o social e o cultural estão sendo chacoalhados a todo instante e os resultados que podem advir são imprevisíveis e preocupantes.

Muitos tentam se agarrar em uma visão caolha e dualista de nós x eles, elite x povo, situação x oposição, mocinhos x bandidos, mas a realidade é muito mais complexa e comporta um sem número de nuances que devem ser coordenadas, e não confrontadas.

Descabe, nesse espaço, colocarmos os dedos em riste para simplesmente apontarmos culpados e não avaliarmos soluções. Não é hora de nos dividirmos, mas de agregar. O momento é de oração e vigiliatura e é exatamente essa a postura que se espera das pessoas de bem.

Por mais que os ânimos estejam exaltados em razão do descalabro de nosso país, é preciso que sejamos prudentes, tolerantes e absolutamente construtivos em todos os nossos pensamentos e atitudes.

Muito além das filigranas jurídicas, devemos lembrar que há um amálgama que perpassa a todos os eixos acima mencionados e permite a vida em sociedade, servindo como fundamento para o chamado contrato social que permite a própria existência do Estado. Esse ponto de coesão é a moral, e quer nos parecer que é aí que reside o ponto nevrálgico da tão propalada – e sentida – crise. Os mores sociais devem ser respeitados e defendidos sob pena de sua inobservância implicar em severa e indesejável ruptura.

Em sociedades complexas, tais como a nossa, mesmo respeitadas as diferentes visões e ideologias, é imprescindível que exista um determinado grau de consenso entre os cidadãos sob pena de se esboroar toda a coesão necessária à manutenção do sistema social

Quando essa coesão parece estar por um fio, é preciso que as pessoas de bem se unam – independentemente de sua posição política ou de quaisquer eventuais divergências pretéritas – para fortalecer as bases da estrutura social e evitarem um estado de anomia. A anomia, ainda que se trate de um estágio temporário, pode trazer consequências deletérias e deve ser evitada.

Urge a necessidade de exigirmos uma postura minimamente condizente dos dignatários da República. É preciso que se respeite uma ordem moral devendo-se dar especial atenção ao caráter e àqueles valores perenes, comuns a qualquer agrupamento de indivíduos. Devemos deixar de lado as posturas de agressividade e nos unir em torno de um imperativo categórico que permita um breve retorno à ordem (ou, de preferência, uma nova ordem em que prevaleçam ideais mais dignos e respeitosos).

Concomitantemente, precisamos repensar o que significa vivermos em uma República, sendo importante nos habituarmos a debater acerca dos valores republicanos e suas implicações. Devemos aprender a fazer autorreflexão e assumir a nossa parcela de culpa por compormos a mentalidade que permitiu os graves desvios que ora nos assombram.

Mais do que isso, devemos procurar nos colocar como faróis em meio à escuridão que se afigura, fazendo sempre prevalecer as retilíneas convicções do espírito ante as curvilíneas e desviantes convenções do materialismo e da Terra.

Não se trata aqui de fazer nenhuma espécie de pieguice ou proselitismo, mas tão somente de se propor um chamamento à reflexão. Precisamos aprender a utilizar os instrumentos e instruções que nos são oferecidos para um melhor entendimento da vida e da realidade em que estamos inseridos de forma que possamos ser sempre agentes do bem e do equilíbrio.

Mesmo quando o caminho parecer penoso e nos depararmos com uma diferença abissal entre a realidade e o desejável, devemos manter a calma, a razão e a firmeza de propósitos para um caminho de construção e equilíbrio constantes. A vida na Terra é eivada de provações e sua superação deve ser uma busca diária.

Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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