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O Deus de Einstein

Conquanto se trate do mais fundamental e importante de todos os temas, exclusivamente a partir do qual todo o resto se apresenta, a imensa maioria das pessoas encontra grande dificuldade ao tratar de Deus.

Isso porque não é dado a nenhum de nós possuir uma noção perfeita e acabada de Deus, posto que o entendimento que Dele fazemos se depura de acordo com o conhecimento alcançado ao longo de nossa trajetória evolutiva.

Logo, quanto maior for o nosso entendimento de nós mesmos, bem como das leis que regem o Cosmos, tanto melhor será o alcance que poderemos fazer sobre Deus, sendo certo que esse progresso é constante e que ainda estamos bastante longe de uma visão completa.

Também é de se notar que ainda atualmente se percebe em determinados grupos de indivíduos resquícios de visões que já prevaleceram em outras épocas e culturas e foram superadas, como, por exemplo, a litolatria (adoração de pedras), fitolatria (plantas), zoolatria (animais), mitologia, panteísmo, assim como a percepção de um Deus vingativo, ou que protege apenas alguns em detrimento de outros, ou de Deus como um velho de barbas brancas sentado em um trono no Céu vigiando, punindo e absolvendo cada um de nós.*

Essa diversidade de entendimentos bem demonstra que apesar de a verdade ser uma só, seu alcance possível é absolutamente variável, sendo, todavia, certo que as leis Cósmicas e aquele que as fundamenta – Deus – são absolutamente os mesmos para todos .

Quando da sistematização dos alicerces do Espiritismo, Kardec perguntou ‘O que é Deus?’ aos espíritos, obtendo a seguinte resposta: ‘Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas’. Logo, para o Espiritismo Deus há que ser concebido como o fundamento do fundamento da vida (conforme lições do Espírito Antonio Grimm em psicofonias realizadas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas), como aquilo que substancia, origina e dá coesão a todo o Cosmos.

Para que bem possamos fundamentar nossas próprias conclusões, entendemos importante buscar compreender o alcance realizado pelos que nos antecederam, em especial daqueles grandes capacitores que viabilizaram substanciais mudanças no sentido do progresso da humanidade.

Nesse sentido, gostaríamos de compartilhar um pouco da visão trazida pelo Dr. Einstein a respeito de Deus.

Especialmente em razão de sua origem étnica judaica e de sua nacionalidade alemã (uma mistura bastante complicada para o período compreendido entre a primeira e a segunda guerra mundial) bem como pelo fato de ter sido o maior cientista do século XX, o Dr. Einstein era constantemente instado a manifestar sua visão de Deus, da religião ou de outras questões de relevo.

Vejamos, pois, algumas de suas mais célebres respostas:

“Não consigo conceber um Deus pessoal que tenha influência direta nas ações dos indivíduos ou que julgue as criaturas de sua própria criação.”

“Minha religiosidade consiste numa humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que revela no pouco que conseguimos compreender sobre o mundo passível de ser conhecido. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder superior racional que se revela nesse universo incompreensível forma a minha ideia de Deus.”

“Qualquer pessoa que se envolve seriamente no trabalho científico acaba convencida de que existe um espírito que se manifesta das leis do universo – um espírito vastamente superior ao espírito humano, em face do qual nós, com nossos modestos poderes, temos de nos sentir humildes. Desse modo, a pesquisa científica leva a um sentimento religioso bem especial, que é, de fato, muito diferente da religiosidade de uma pessoa mais ingênua.”

“Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia bem-ordenada de tudo o que existe; mas não acredito num Deus que se ocupe com o destino e as ações da humanidade”.

Naquela época, várias pessoas tinham ainda dificuldade em compreender essa visão de um Deus cósmico racionalmente compreendido trazida por Einstein, e muitos chegaram a chamá-lo de ateu. Contudo, se fizermos uma análise detida das respostas por ele trazidas, certamente encontraremos uma visão bastante profunda e coerente, compatível com aquela trazida pelo Espiritismo e de grande valia para podermos, cada um de per si, construir seu próprio entendimento.

 

 

* Para maiores esclarecimentos sobre essas diferentes ideias que já se fez de Deus, sugerimos a leitura da reportagem de capa da edição 09 da revista SER Espírita.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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