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O Equilibrista

O equilibrista

Era como se equilibrasse os mais finos e delicados cristais

Enquanto caminhava de olhos vendados sobre uma corda bamba

Esticada sobre carros de uma montanha-russa em movimento

Construída em cima de um navio

Que passava por uma severa tormenta.

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Era assim que ele se sentia na maioria dos dias

Especialmente de uns tempos pra cá

Se esforçar nunca foi um problema

Mas estava farto de sempre ter que recomeçar.

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Graças a seu empenho e dedicação

Os resultados não tardavam a chegar

Mas nada parecia ser suficiente

E essa tresloucada voracidade era o que estava a lhe angustiar.

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Ele se orgulhava de viver no país do futuro

Mas esse futuro parecia nunca chegar

De crise em crise seguia se equilibrando

Almejando uma calmaria que teimava em sempre se afastar

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Tudo o que construiu com esforço e dedicação

Ficava ameaçado pela absurda corrupção

Em vários momentos chegava a imaginar

Que talvez já não houvesse mais como se equilibrar.

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Procurava não ser pessimista

Sempre havia um lado bom para enxergar

Ele buscava se manter realista

Mas se angustiava com as inponderabilidades que grassavam por todo lugar

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A eficiência pela eficiência era um fantasma

Que ele se recusava a aceitar

A vida precisava ter um propósito

Algo com que valesse a pena se preocupar.

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Era obrigado a repetir tarefas enfadonhas

Enquanto haviam mundo inteiro a conquistar

Havia tanto a ser feito

Mas o coitado, sempre engessado, mal conseguia se expressar.

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Sabia que a mudança dependia de si

E dos caminhos que ousasse trilhar

Mas se desse um passo em falso

Podia a tudo derrubar.

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Se equilibrava como podia

Cambaleava mas se mantinha no lugar

As contingências o obrigavam a manter aquela linha

Mas isso não o impedia de sonhar.

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Almejava ter mais autonomia

Para agir, pensar e falar

Queria levar a todos harmonia

Espalhando-a por todo lugar.

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Sentia que podia fazer a diferença

E muita gente queria ajudar

Não se tratava de uma simples crença

Mas da certeza de que viera para transformar.

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O nosso corajoso equilibrista

Decidiu que era hora de mudar

Se as coisas mais uma vez ficassem difíceis

Bastaria novamente se equilibrar.

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Não havia como esperar um momento perfeito

Para os seus projetos implantar

Se ele nada fizesse

Sua oportunidade poderia nunca chegar.

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Tal como fiel da balança

Começou a sopesar

Os prós e contras da mudança

Que começou a implantar.

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Aos poucos foi se livrando

Do que estava a lhe angustiar

E para os problemas sociais

Passou a fazer um segundo olhar.

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Parou de esperar por milagres

Ou apenas reclamar

Resolveu fazer sua parte

Para a realidade transformar.

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Já não se angustiava com o dia a dia

Ou com os passos que resolveu dar

Aprendeu a se equilibrar de dentro para fora

E de seu caminho nada podia desviar.

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Passou a usar sua habilidade equilibrista

Para uma grande mudança fomentar

Deixou para trás angústias, frustrações e incertezas

E abraçou o caminho que escolheu trilhar.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

Todos os Posts de: Rodrigo Fontana França