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O processo de conhecer a si próprio

O processo de conhecer a si próprio

     A Doutrina dos Espíritos nos fornece os instrumentos e instruções necessários para que possamos – cada um a seu tempo –  realizar o despertar de nossas consciências para uma visão de mundo cada vez mais ampla e profunda, que tenha em conta a integração entre espírito e matéria e possibilite enxergarmos a vida como algo muito maior e mais congruente do que o efêmero interregno entre o encarne e o desencarne.
     Nesse diapasão, é importante percebermos que o único motivo das manifestações dos Espíritos na Terra é o de nos sensibilizar a realizarmos essas percepções e fazermos as necessárias correções de rota para que possamos seguir o mais possível na senda do progresso.
     Essas manifestações não servem apenas para o nosso deleite ou para simplesmente ‘trazer notícias do além’ como alguns parecem acreditar, mas sim para realizar chamamentos que nos instiguem a realizarmos uma intensa e extensa reforma íntima que possibilite construirmos uma visão integrativa da unidade cogente entre ciência, filosofia e religião, de modo que possamos fazer esse novo olhar sobre a realidade. Na medida em que formos realizando esse alcance diferenciado, poderemos espraiar essa boa nova a toda a humanidade para que – gradativamente – todos se contagiem com essas ideias transformadoras.
     Um dos primeiros – e mais importantes – passos a serem dados para essa construção de um pensamento novo consiste em aprendermos a dominarmos e conhecermos profundamente a nós mesmos. Somente aquele que se conhece de forma suficiente é capaz de dominar as paixões, a revolta e as más tendências, e de alcançar uma postura de plena serenidade para cada um dos baixios e cumeadas que a vida certamente haverá de lhe apresentar.
     O autoconhecimento é um processo e como tal deve ser realizado diuturnamente. Nenhuma transformação na natureza se dá através de saltos, nem muito menos nossa transformação pessoal. Na medida em que formos nos aprofundando nesse intenso processo, gradativamente aprimoraremos nossa habilidade de compreender aquilo que nos propusemos fazer na presente encarnação e de realizar um planejamento consistente de nossos objetivos.
     Para quem não sabe o que quer, qualquer coisa serve, mas nenhuma satisfaz. Aquele que aprendeu a dominar a si próprio e compreender seus limites e potencialidades consegue perceber com muito mais precisão aonde é capaz de chegar e pode traçar as estratégias necessárias para atingir seu desiderato.
     É interessante percebermos que esse chamamento para o autoconhecimento não é exclusividade do Espiritismo, sendo, em verdade, quase que unânime em todas as doutrinas religiosas e filosóficas, o que apenas corrobora sua importância. Conquanto se trate de algo já reiteradamente propalado por todos os grandes capacitores da humanidade em diferentes épocas e culturas, a maioria de nós ainda teima em seguir de forma desvairada e irrefletida em seu dia-a-dia, o que – a nosso ver – é uma das principais causas de angústias e desavenças no mundo atual.
     Independentemente da opção religiosa de cada qual, é importante fazermos reiteradamente esse chamamento para a reflexão e o autoconhecimento. Sem essa necessária, constante, e profunda avaliação de ordem pessoal não há como se alcançar uma satisfação plena ante os desafios da vida e continuaremos a ter grande dificuldade em compreender as razões de nosso existir.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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