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O que é o Espírito?

O que é o Espírito?

Para a Doutrina Espírita, o espírito é o ser inteligente do universo que alcançou, ao longo da sua trajetória evolutiva, características como a consciência de si mesmo e da temporariedade do corpo que ocupa.

O espírito também se caracteriza pela soma de experiências e conhecimentos diferenciados, acumulados ao longo das suas encarnações. Em seu acervo estão conceitos, ideias, princípios, valores e crenças. A combinação desta diversidade gera sentimentos, emoções, sonhos, amores, ideais, construções, avaliações e decisões. Este acervo contém ainda erros, enganos, acertos e realizações; convivências e relacionamentos; encontros e decepções.

O espírito é ainda afetividade, vontade, ação, construção, individualidade, consciência e singularidade. É o ator e o portador da cultura (A. Grimm).

Quer esteja no polissistema cultural espiritual ou no polissistema cultural material, o espírito assume funções, desempenha papéis, ocupa espaços de ação, sustenta compromissos, norteia-se por objetivos. Pelo exercício do livre-arbítrio determina sua trajetória, podendo romper suas limitações e aplicar suas habilidades e competências.

O espírito, pelo exercício de sua inteligência evidenciada pela descoberta, invenção, inovação e criação, constrói a consciência de sua individualidade, a consciência em relação a outros espíritos e a consciência de seu papel na estruturação inteligente do Universo.

Para a Doutrina Espírita, o espírito não é um fantasma que agita cortinas, bate portas ou assusta pessoas. Também não é alguém que geme ou grita no meio da noite. Não é etéreo, vaporoso ou indefinido. Nem é um anjo no céu ou se encontra no além, na penumbra, no vazio, no escuro, na noite ou no frio.

Também não se faz sentir através de um calafrio, arrepio, calor ou formigamento. Não está em cima, atrás ou sobre os ombros. Não encosta, não incorpora e nem sussurra no ouvido.

O espírito não obsedia ninguém, não volta para se vingar, não atormenta, não faz com que as coisas deem errado. Não aceita trabalhos, não pede despachos, oferendas, subornos, ou sacrifícios. Não é comandado por rituais e não resolve os problemas dos outros dizendo o que as pessoas devem fazer.

O espírito desencarnado não é poderoso. Não se preocupa em proteger alguém em especial. Não comanda forças sobrenaturais. Não dispõe de recursos mágicos. Não adivinha o futuro. O espírito conhece apenas na medida de suas experiências, vivências, convivências. Seus erros e acertos, bem como o resultado de suas ações, são decorrentes de seus conhecimentos.

O imaginário das pessoas confere aos espíritos desencarnados uma série de características que não são deles, mas da fantasia da cultura material. Refletem os mitos, os medos, as angústias, as expectativas, as dificuldades com a morte física e com o significado da vida. Na visão centrada em si mesmo, a cultura material cria a ilusão de que os espíritos desencarnados estão à sua volta, girando em torno de seus interesses, problemas, angústias e dificuldades.

Para o Espiritismo, os espíritos desencarnados não estão à disposição das pessoas e suas atividades não se desenvolvem particularmente em torno da vida material. A atuação dos espíritos desencarnados junto ao polissistema cultural material, quando ocorre, se faz com um significado, um objetivo, dentro de uma ética, que orientam a interação entre o ambiente espiritual e o ambiente material. Essa interação promove aprendizagem e crescimento mútuos.

Para a Doutrina Espírita, o espírito, encarnado ou desencarnado, tem como objetivo ampliar a sua consciência, evoluir. Ao reencarnar, o espírito insere-se no polissistema cultural material, assumindo perspectivas e referenciais da cultura local. O desencarne é apenas uma mudança de fase, uma alteração de frequência, uma substituição de referencial. Ao trocar o referencial da cultura material pelo referencial da cultura espiritual, mais amplo, o espírito tem condições de acessar e operar, com maior facilidade, o conjunto de conhecimentos que domina. O espírito encarnado e o desencarnado, portanto, se diferenciam na mentalidade, na massa crítica, na operação dos sistemas culturais, nos referenciais utilizados, mas não em seus objetivos evolutivos.

Este conteúdo é baseado no texto ESPÍRITO, utilizado na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas como referencial de apoio para os grupos de estudos espíritas. www.sbee.org.br

Paulo Wedderhoff

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Sobre o Autor

Paulo Henrique Wedderhoff

Paulo Henrique WedderhoffAdministrador; Professor Universitário na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC); e Conselheiro Editorial da revista SER Espírita.

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