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Onde encontramos a felicidade?

Conquanto seja a felicidade o maior clamor de absolutamente todas as pessoas que estão encarnadas aqui na Terra, a maioria de nós passa a vida toda sem a encontrar, tendo, quando muito, alguns poucos flashes de tal sentimento. Na maioria das vezes, o que se percebe é uma tentativa de buscar a felicidade por caminhos que em hipótese alguma conduzirão até ela e que, ao final de cada tentativa, somente contribuirão para aumentar a angústia e o descontentamento.

Já desde a Grécia antiga, podemos distinguir três principais concepções filosóficas de busca da felicidade: (1) a da escola de Epicuro de Samos (Hedonismo), que propunha que podemos encontrar a plena felicidade exclusivamente na posse de bens externos, sendo mais feliz aquele que mais tem; (2) a da escola de Diógenes de Sínope (Cinismo) que defendia que a felicidade consiste integralmente na renúncia total a quaisquer bens externos, pois o medo de perder o que se possui e o desejo de se ter o que não se pode possuir são os grandes motores da infelicidade; (3) a da escola de Zenão de Cítio (Estoicismo), que entendia que a felicidade consistia numa permanente serenidade interior, tanto em face do prazer quanto em face do desprazer, baseada na perfeita harmonia com a “lei cósmica”, que o homem perfeito e feliz devia manter uma atitude de absoluta serenidade, espécie de equilíbrio e atitude racional, em face do agradável e do desagradável da vida.

Ao que nos parece, o grande equívoco das primeiras duas concepções é o de basear a busca da felicidade exclusivamente em elementos externos, em bens materiais, seja na sua posse e gozo ou na ausência deles. Tendo em vista que tudo aquilo que é da matéria é absolutamente efêmero e perecível, de nada adiantaria fazermos depender toda a nossa satisfação somente no TER posto que sua duração é sempre ínfima.

Nesse sentido, podemos perceber que a terceira concepção apresentada, a dos Estóicos, parece ser a mais adequada para perseguirmos e interiorizarmos. Ao percebermos que a nossa felicidade depende integralmente e exclusivamente de nós mesmos e da forma como reagimos às situações que a vida nos apresenta, facilmente notaremos que sua construção se faz de dentro para fora, jamais podendo a mesma decorrer do movimento inverso.

Ora, se a nossa felicidade depende exclusivamente de nossa atitude pessoal, é evidente que seremos tanto mais felizes quanto mais conseguirmos positivar a vida, buscado sempre perceber os aspectos bons de cada situação, ainda que ela seja aparentemente adversa.

Para tanto, devemos antes de qualquer coisa procurar conhecer a nós mesmos, saber quais são nossas potencialidades e limitações, saber por que estamos aqui e aonde pretendemos chegar. Somente através da prática do autoconhecimento é que teremos o equilíbrio e a serenidade necessários para alcançar esse estágio pleno de felicidade, que se baseia no SER e não no TER.

Aliás, ao compreendermos que a única forma de sermos efetivamente felizes é através dessa percepção espiritual, logo perceberemos que é muito mais fácil encontrarmos a verdadeira satisfação através do auxílio ao próximo, e não da busca de nosso deleite pessoal.

Podemos, pois, concluir que aqueles que se julgam infelizes possivelmente é porque estão procurando a felicidade nos lugares errados. Ao invés de buscá-la em bens externos ou em terceiras pessoas, devemos voltar os olhos ao nosso interior e perceber que o único caminho para a felicidade é o da reflexão, do autoconhecimento e da espiritualização.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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