[kads group="topo-1"]


OS HOMENS PÚBLICOS E O CARÁTER NACIONAL

OS HOMENS PÚBLICOS E O CARÁTER NACIONAL

O caráter faz com que o homem alcance o verdadeiro sentido da vida, compreendendo que o luxo, a riqueza material, a vaidade, a inveja, o ódio, a corrupção e o vício, guardem estreita relação entre si.

A covardia moral se manifesta através do homem fraco, debilitando-lhe o trabalho. Os desonestos, os bajuladores, os falsos, os mentirosos, procuram o poder – seja ele qual for -, para alcançar satisfaçãoprópria. Não contentes em bajular os ricos, agora se voltaram para adular os pobres, procurando alcançar, por todos os meios, fins estritamente pessoais, desconsiderando a construção social e a dignidade humana.

O povo, transformado em massa de manobra, crê que exerce poder político – porém, não faz juízo crítico de que simplesmente segue condutores sem escrúpulos.

Os políticos, completamente sem prontidão, descaracterizados pelos desvios de comportamento,  governados pelo medo de perder o poder, passaram a acariciar a incompetência e a promover-lhe elogio. Mesmo sabendo que corrompem o caráter nacional, fingem ouvir as aspirações do povo, fazendo-lhe discursos para agradar. O fim é sempre obter favores. Preferem mostrar-se injustos, sem princípios, a serem impopulares. São heróis medíocres.

O homem de caráter mantém o domínio de sua vontade em tudo o que faz, procurando educar pelo exemplo. Tentando ser justo, é resoluto e magnânimo. Sabe que liberdade é a conquista de todos. Exerce a autoridade sem autoritarismo, tendo consciência de que somente se constrói a Nação pelo trabalho digno e diário de cada cidadão.

Conclamo os homens decentes, cônscios de suas responsabilidades, a vencer o desânimo. E que moralizem toda a sua força, seu valor, seu conhecimento, sua certeza de que o bem vence o mal, para nadarem contra a corrente – pois quem flutua sem reagir é peixe morto.

A consciência da dignidade humana não poermite condescendência servil em troca de popularidade. É lastimável que nos últimos tempos tenha crescido na Nação a tendência ao rebaixamento moral, à falta de ética, ao aviltamento de caráter dos chamados homens públicos. As consciências ficaram mais elásticas e todos se julgam salvadores da Pátria, prontos a ocupar os altos cargos do Estado. São homens vaidosos que não sabem o quanto se endividam espiritualemente pela má administração da coisa pública. Têm uma opinião para os comícios e outra para o desempenho do cargo. Os interesses individuais e dos partidos políticos promovem casuísmos, tornando-se maiores do que a pessoa humana.

Já não se atacam as ideias e os atos, mas os homens. A mentira, a falta de ética, a incompetência e a hipocrisia, desgraçadamente, não aparecem mais como elementos vergonhosos, indignos de se arrogar ao homem público.

A popularidade, como é obtida nestes dias, não é de maneira nenhuma presunção positiva em favor daquele que a consegue, tamanho é o descaso e a ausência de prontidão para o exercício do serviço à Pátria.

A procura, unida à energia, à fé em Deus e à permanência no bem, triunfa sobre obstáculos aparentemente invencíveis.

Caros irmãos, esta mensagem não deve representar desesperança, mas estímulo para uma vida absolutamente voltada ao serviço ao próximo e à dignidade humana.

Democracia não é uma abstração nem tampouco simples definição apresentada pela ciência política. Democracia é ação consciente de cidadãos que constroem o cotidiano e o futuro – com responsabilidade.

21/out/1992

 

Texto do livro “Amor, a linguagem silenciosa da vida”.

Compartilhe: