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Quem sou eu no meio de tudo?

Quem sou eu no meio de tudo?

Desafios da atualidade – Quem sou eu no meio de tudo?

Por Ana Rosa B. M. Rocha

“O homem, nos caminhos da Terra, quer sempre mais conhecimento, tem consciência que representa a liberdade.”
espírito Antônio Grimm, em mensagens psicofonadas pelo médium Maury Rodrigues da Cruz

Estamos vivendo a era da velocidade. A sensação de alerta, de que o tempo é curto e passa muito mais rápido do que conseguimos perceber é inconteste. Se não o percebemos, provavelmente também não o estamos sentindo. E se não sentimos o tempo, não vivemos.
Muitas informações chegam até nós, numa velocidade que nossos olhos e cérebros não conseguem acompanhar. A sensação de que “estamos ficando para trás” e de que o mundo passa ao largo de nós pode ser angustiante. Com o volume de informações, nem sempre úteis ou significativas, a sensação de que a vida está escoando por nossas mãos é legítima. Falta o significado ou, ao menos, a apreensão dos mesmos. E o pior: não podemos voltar atrás e negar todo esse movimento de avanços tecnológicos.
É neste quadro de angústia e incertezas que, como espíritos que somos, formulamos nossas perguntas e tentamos alcançar nossas respostas. Fazemos isso para nos situarmos nesta vida e no mundo, no tempo e no espaço. Precisamos colocar um valor em tudo o que fazemos, ouvimos, vemos, queremos, tocamos, buscamos, encontramos, afinal. “Será que estou fazendo as melhores escolhas?”; “Estou ciente do que quero para mim?”; “Afinal, o que busco?”
Ora, o que quer que encontremos, estaremos encontrando a nós mesmos. Absorvemos os estímulos externos com os quais nosso interior se identifica ou necessita. Só acreditamos no boato, no marketing, no conselho, na promessa, na previsão, no palpite ou na orientação, quando aquilo faz sentido para nós, consciente ou inconscientemente.
Podemos alongar nosso olhar para os fatos se nos titularizarmos de nós mesmos, ou seja, se ampliarmos a consciência dos porões do nosso inconsciente, com o intuito de tornar consciente o conhecimento sobre nós mesmos, que tem estado adormecido. Em verdade, muitos de nós não nos despontamos no consciente porque não há o suporte biopsíquicoespiritual para tanto. É um mecanismo inteligente do nosso psiquismo que nos protege de situações que não sabemos lidar. Recalcamos as questões da nossa vida varrendo-as para debaixo do tapete enquanto não temos prontidão para lidar com elas e, assim vamos “empurrando com a barriga”…
Essa aparente acomodação, na verdade, só traz transtornos emocionais já que não temos consciente o conhecimento de todas nossas potencialidades e habilidades para fazer os enfrentamentos necessários. Então nos tornamos reféns de toda a avalanche de informações que caem impiedosamente sobre nós.
É vital, pois, que cada um descubra:
• Que é absolutamente individual em toda a sua constituição biopsíquicaespiritual, portanto, é único.
• Que diante dessa individualidade carrega uma bagagem de vida e consciência só sua.
• Que ninguém, nem o mestre dos mestres, em qualquer área da ciência, da filosofia ou da religião sabe mais de você do que você mesmo.
• Que é preciso descobrir de si qualquer manto que acoberte seu ser a ponto de se perder de si mesmo.
• Que sendo você o grande sabedor de si, deve depositar toda a confiança em seus sentimentos, aguçando, para tanto, seu olhar e todos os outros sentidos do seu corpo.
• Que você tem maravilhosas potencialidades de ser e fazer o seu melhor.
Portanto, não necessita seguir modismos, conselhos, orientações, crenças, ritmos, nem nada que desabone seu caráter, que avilte suas convicções, que o afaste de si mesmo. Você tem o livre-arbítrio, mas precisa se encontrar livre para fazer suas escolhas. Importante entender liberdade como a capacidade de “ser” oriunda da essência do próprio ser.
Alexander Lowen, psicanalista e psicoterapeuta corporal, pontua que:
“Podemos construir uma imagem de liberdade como um rio que desliza montanha abaixo (…) obedecendo à lei da natureza, à gravidade, mas neste processo de cumprir seu destino para chegar ao oceano, é livre. Perde a imagem de liberdade quando é represado. (…)Também existe uma vida fluindo dentro da pessoa que escoa através do tempo, como o rio escoa através do espaço.”  (Medo da Vida, p.240)
Como o rio, somos seres fortes e livres por natureza. Mas, quando nos comparamos achamos que alguns são melhores do que nós, então acabamos por creditar a eles maior competência para gerir nossa própria vida. E permitimos isso a muitas pessoas, inclusive aos desconhecidos virtuais.
Portanto, estar neste mundo veloz, muitas vezes desconcertante, requer muita cautela, viver muito com os “pés no chão”, com contato consigo mesmo, vivendo intensamente a presença do olhar.
É preciso, pois, respirar mais conscientemente, meditar, para praticarmos o olhar atento, com presença no presente, para nos encontrarmos no aqui e agora.
Se quisermos realmente ser e estar no mundo, fazendo a diferença, necessitamos urgentemente de nós mesmos.

Ana Rosa B. M. Rocha – Terapeuta Corporal (Análise Reichiana).

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