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Reconceituação permanente

Reconceituação permanente

Sempre quando analisamos um determinado momento da história humana, é de fundamental importância que saibamos percebê-lo não como sendo isolado e desconexo, mas sim como algo absolutamente conectado e dependente de uma série de outros fenômenos que contribuíram de forma direta ou indireta para que naquela dada situação as coisas se concatenassem para produzir o resultado vislumbrado.

Mais do que isso, além dessa grande interligação que há em tudo, é importante notarmos que as transformações continuarão sempre ocorrendo e que se darão na exata medida em que a mentalidade dominante seja capaz de sustentá-la. Ou seja, todos nós temos uma parcela de influência na velocidade, na intensidade e na qualidade das transformações que experimentamos enquanto sociedade.

Para tanto, é de extrema relevância que cada um de nós saiba se perceber como um elo dessa corrente do progresso e da evolução, cuja mentalidade e atitudes contribuirão para o aperfeiçoamento de todos os demais. Se assim formos capazes de perceber, certamente nos tornaremos mais solidários e voltados para o bem, canalizando todas as nossas atitudes para esse ideal comum de melhoramento da humanidade.

Ao tratarmos da Lei de Progresso, nos resta constatar a grande importância de mantermos sempre nossas mentes abertas para novas ideias bem como para reconceituações das ideias outrora em voga, posto que na medida em que vamos fazendo novos entendimentos, novos alcances científicos, novas conexões na complexa rede da vida, se torna obrigatório repensar constantemente nossas convicções de acordo com os novos conhecimentos adquiridos, a fim de que possamos ampliar e aprofundar nosso alcance da verdade.

Assim como Jesus afirmava categoricamente que não viera para destruir a Lei, mas para dar-lhe cumprimento, também o Espiritismo não trouxe consigo nada que viesse romper com a base moral da Lei Divina que já vinha sendo semeada na humanidade de há muito. O que ocorre é que na medida em que o grau de adiantamento moral e científico alcançado permita, o nosso entendimento vai se fazendo de modo cada vez mais claro e direto, o que nos permite uma melhor compreensão daquilo que em outro momento somente foi possível através de alegorias e linguagem figurada.

Da mesma forma, de nada adiantaria imaginarmos que a codificação realizada por Allan Kardec seria o suprassumo do conhecimento possível da realidade espiritual e que já não haveria nada de novo a acrescentar. Considerando todo o conhecimento havido em todas as áreas desde meados do século XIX até agora, nos parece imprescindível pensarmos em recontextualizar aquelas importantíssimas lições à luz de tudo de novo que a humanidade já alcançou e certamente ainda alcançará.

Do contrário, estaríamos cometendo o mesmo equívoco de outras correntes religiosas que se fecharam há muitos séculos em ‘verdades’ imutáveis (dogmas) por elas próprias impostos, e que acabaram tornando suas ideias absolutamente anacrônicas, exatamente em razão da impossibilidade de atualizá-las.

O que devemos ter em mente para absolutamente todos os segmentos de nossa existência é essa necessidade de constante busca, atualização e reconceituação daquilo que entendemos por verdadeiro. Se formos capazes de manter nossa mente sempre aberta ao novo, certamente estaremos a cada dia pelo menos um passo mais próximos de alcançarmos a verdade.

Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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