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Reflexões: O Espírito – Parte II

O grande cientista Albert Einstein, talvez o maior do século passado, dizia que seu objetivo era “compreender a mente de Deus”. Como um homem extremamente sensível e, sobretudo, modesto, reconhecia em tudo uma inteligibilidade evidente e, assim, afirmava: o universo é inteligente, do contrário não seria inteligível. E, a inteligibilidade do universo se revela pela possibilidade de descrevermos os fenômenos naturais através de equações matemáticas, que sintetizam harmonia, simetria, interação e integração permanentes.
Por exemplo, segundo o grande pensador, há uma velocidade limite no universo, a velocidade da luz (300.000 Km/segundo). Limitados por essa constante, interagem tempo e espaço. De tal forma que, separados, são grandezas relativas. Mas, em conjunto, formam uma totalidade absoluta. Assim, se nos movimentamos no espaço a uma certa velocidade, a duração da passagem do tempo se reduz na mesma proporção. No limite, se atingirmos a velocidade máxima do universo, cessa a contagem do tempo, ou seja, o tempo reduz-se a zero. Seria a eternidade? Difícil de compreender, não é? Ao contrário, se desaceleramos a velocidade de deslocamento no espaço, aumenta pari passu a duração da passagem do tempo. Isso parece bastante complicado. Mas, na verdade é complexo, ou seja, nada está separado, tudo se integra na relação espaço-tempo. Ou seja, o espaço-tempo contém tudo o que chamamos realidade.
Pelo “Princípio de Incerteza” da Física Quântica, sabemos não ser possível obter, simultaneamente e com precisão, a velocidade e a posição, ou o momento, de uma partícula subatômica. Se medirmos a velocidade, não temos a posição; se medirmos a posição não temos a velocidade. Isso vale tanto para a realidade subatômica, quando para as realidades meso e macro. Em outras palavras, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande tudo é incerteza. Nosso alcance sempre será parcial, insuficiente, inacabado.
Será por isso que ninguém detém o monopólio da verdade, da virtude, de nada? Se alguém lograsse dominar, simultaneamente e com precisão, todas as variáveis que permitem mensurar a realidade, dominaria o mundo e, por conseguinte, todos os outros seres. Até onde sabemos, somente o Creador tem esse domínio. Graças a Deus!
Então, em face dessa inteligibilidade que a tudo permeia, continua latejando em nossas indagações como o princípio inteligente, nos seus inúmeros estágios adaptativos, move-se em meio a essa emaranhado complexo. Sambemos que ele não é um mero coadjuvante desse enredo. Ele é o autor, ator e portador da inteligência. Assim, fica difícil admitirmos inteligibilidade fora do princípio inteligente, ou seja, do espírito. Mas, mesmo assim, sendo ele protagonista e artífice da realidade, não tem o condão atingir o absoluto, a totalidade, embora sejamos permanentemente movidos pelo desejo de alcance do universal. É o grande paradoxo existencial do espírito. Por isso, somos eternos aprendizes, seres inacabados.
(continuamos…)
*Rui Simon Paz. Sociólogo, professor acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio Correia e coordenador de grupos de estudos espíritas.

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Sobre o Autor

Rui Simon Paz

Rui Simon PazSociólogo e Professor na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC).

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