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Reflexões: O Espírito

Quando Kardec indaga aos Espíritos Instrutores, na codificação do Livro dos Espíritos, “que é espírito”? eles respondem: “o princípio inteligente do universo”.

Admito não ser de fácil compreensão esta afirmação. Afinal, o que é princípio? Será um fundamento absoluto, que reside em cada ser, independentemente do estágio evolutivo em que se encontra?

Admitamos que sim. Então, conforme os próprios instrutores afirmam em outra passagem do livro, somos o princípio inteligente individualizado. Ou seja, nos constituímos e nos essencializamos, como indivíduos singulares a partir desse fundamento.

Não compreendemos, ainda, como fomos creados¹, nem quando. Mas, tudo indica que somos muito antigos. Afinal, se concordarmos com a metáfora oriental de que o espírito “nasce na pedra, respira nas plantas, move-se no animal e pensa no homem”, nossas existências se perdem no tempo.

Sabemos, também, pelas mesmas fontes, que o princípio de tudo que existe sustenta-se na trindade Deus, espírito e matéria. Deus, o Creador¹, é a causa primária de todas as coisas, portanto, do espírito e da matéria; o espírito é o princípio inteligente, que evolui por adaptação para fazer o autoconhecimento. Mas, e a matéria, como se organiza? As ciências em geral e a Física, em particular, buscam essa resposta desde os pré-socráticos, pelo menos.

A ciência moderna procura atribuir a base da organização da matéria a forças naturais, leis da natureza. Ora, sabemos que leis são regularidades observáveis que revelam interações entre elementos de forma inteligente, porque inteligíveis. Do contrário, não seria possível decodificá-las em fórmulas matemáticas, equações, expressões algébricas, etc. Como afirmava Albert Einstein, tudo no universo é inteligente, porque do contrário não seria inteligível, portanto, o universo não seria quantificável, nem qualificável. Com efeito, podemos afirmar, sem dúvida, que as leis da natureza são inteligentes. Mas, a grande questão que surge daí é a seguinte: como leis, são causas que provocam efeitos. No entanto, também são provocadas. Mas, por quem ou pelo que? Por exemplo, o que nos mantém firmes sobre o solo é a chamada Lei de Gravidade, revelada por Newton e reconfigurada por Einstein. Em face dessa lei, o sistema solar existe em equilíbrio móvel, dinâmico, convergente para a manutenção do sistema e, portanto, de nós mesmos. Afinal, o sol, os planetas e os satélites naturais movimentam-se em velocidades e distâncias que os mantém relativamente seguros, por assim dizer. Portanto, há uma espécie de “orquestração” desses movimentos, como se fossem combinados. Podemos afirmar: por trás dessas leis está Deus. Correto. Mas, agindo diretamente e nos colocando como mero expectadores? Ou através de nós, pela inteligibilidade que nos preenche?

Continuamos.

1- Do verbo creare, sugerido por Huberto Rhodem, como forma de diferenciar a creação, do Creador (Deus), da criação como engenho humano.

*Rui Simon Paz. Sociólogo, professor acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio Correia e coordenador de grupos de estudos espíritas.

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Sobre o Autor

Rui Simon Paz

Rui Simon PazSociólogo e Professor na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC).

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