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Repetir ou refletir?

Repetir ou refletir?

     Em nosso processo de aprendizagem, somos muitas vezes condicionados a simplesmente repetir fórmulas, datas e conceitos. Tais habilidades de simples memorização e reprodução ipsis litteris de caminhos já dantes traçados nos tolhe a capacidade criativa e oprime a potencialidade inventiva, dificultando imensamente o tracejar de novos caminhos.
     Essa pasteurização do ensino – que se espraia para todas as nossas relações sociais posto que estamos a todo instante fazendo aprendizado – acaba sendo deveras perniciosa, posto que ao invés de formar pessoas aptas a um pensamento novo e à superação dos desafios da vida, nada mais faz do que criar autômatos incapazes de pensar por si sós ou de realizar qualquer concatenação de ideias um pouco mais elaborada.
     É preciso atentarmos para essa realidade a fim de não mais nos deixarmos levar por um pensamento pronto, arrumado e estéril posto que dessa forma pouco avançaremos nas sendas do progresso. Se nos é dada essa oportunidade de um constante melhoramento, necessitamos atentar para priorizar os meios necessários para atingi-lo, e, para tanto, precisamos apreender os instrumentos e instruções pertinentes.
     O aprendizado, quando efetivo, deve despertar em nós uma firme e imediata mudança de comportamento que permita a cada um realizar uma constante adaptação ao pensamento novo e uma permanente recontextualização de suas ideias. Não podemos aceitar que nos façam reféns de um pensamento tecnicista e dogmático que engesse nossa capacidade criativa e obnubile nosso pensamento posto que de tal forma nos prejudicaríamos grandemente.
     Diferentemente de outras tantas religiões, o Espiritismo tem por objetivo ensinar as pessoas a pensar por si próprias, mas nunca impor o que cada um deva pensar. Com isso, somos constantemente incentivados a seguir de maneira intensa em busca de novas ideias que sejam cada vez mais consentâneas com os avanços realizados pela humanidade sem nunca – por obvio – descurar dos fundamentos e princípios que embasam nosso edifício lógico-axiológico.
     Quando, ao invés de ser simplesmente imposto (muitas vezes à força), o conhecimento é alcançado, sua sedimentação e sua aplicação prática se tornam muito mais efetivas e o indivíduo se torna apto a vivenciar a cada instante aquilo que alcançou. Esse pensamento aberto, que permita constante revisitações e fomente sempre o progresso é uma das grandes chaves para melhorarmos a nós mesmos bem como a toda a humanidade.
     O incentivo a essa capacidade de reflexão nos leva necessariamente a uma maior abertura para o diálogo, para o autoconhecimento e para que possamos compreender cada vez melhor um dado segmento da verdade. É, pois, urgente pensarmos em uma reforma de todo o nosso sistema de ensino, a fim de privilegiar a reflexão ao invés da mera repetição.
     À primeira vista pode parecer doloroso tomarmos as rédeas de nossas vidas e passarmos a fazer uma leitura crítica e reflexiva de tudo aquilo que nos é apresentado. Contudo, jamais podemos olvidar de que a verdade liberta e que só conseguiremos alcançar essa liberdade se estivermos dispostos a buscar insistentemente uma compreensão cada vez mais ampla e profunda da realidade.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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