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Resiliência  –  encarando (bem) as dificuldades

Resiliência – encarando (bem) as dificuldades

Por Luciana Garcia

edicao16

reportagem publicada na SER Espírita impressa n.16

Seguir firmemente em seu caminho mesmo com as pedras que aparecem nele. E, melhor: prosseguir sem se abalar. Parece difícil, mas isto é muito importante para que as pessoas se tornem cada vez mais fortes e para que consigam evoluir, que é o propósito dos espíritos encarnados. Tudo isso pode ser definido com uma só palavra: resiliência.

O termo “resiliência” vem da Física e quer dizer “propriedade de que são dotados alguns materiais de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material – como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para o alto”. Com o passar do tempo, o termo foi sendo absorvido por outras áreas do conhecimento, como a psicologia analítica, e hoje até a administração empresarial o utiliza dentro da sua área de atuação.
Por mais comum que se diga ser o emprego da resiliência atualmente, o seu entendimento ainda é bastante complexo para muita gente. Entretanto, o trabalho do neuropsiquiatra francês Boris Cyrulnik, tem causado grande repercussão na mídia nacional e alertado para o entendimento dessa questão. Autor de cinco livros, ele viaja o mundo aplicando suas ideias sobre resiliência em países atingidos por catástrofes naturais. A pessoa resiliente “é aquela que desenvolveu a capacidade de enfrentar as adversidades sem se desestruturar e manteve uma boa autoestima”. Esta colocação da especialista em Docência do Ensino Superior e professora da disciplina de Pedagogia da Faculdade Dr. Leocádio José Correia (Falec), de Curitiba (PR), Leila Regina Sanches, define o conceito dentro da Doutrina Espírita.
A psicologia positivista tem observado que pessoas altamente resilientes se tornam mais aptas a se sair bem em situações difíceis. Elas desenvolvem uma confiança que as tornam preparadas para lidar com as mais variadas formas de eventos. Segundo Angelita Viana Corrêa Scardua, Mestre em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), a resiliência depende de algumas condições psicológicas internas e externas. Internamente, são favorecidas as pessoas otimistas, que assumem a responsabilidade pelas próprias escolhas, que prezam a autonomia, que estabelecem vínculos sociais e familiares positivos e que são flexíveis no que diz respeito à mudança de posicionamentos, sentimentos e pensamentos. Ao nível das condições externas estariam as relações positivas, aquelas que promovem suporte afetivo e material, acolhimento e cumplicidade.
O cientista Breno Henrique Souza alerta para o fato de que da mesma forma com que os indivíduos têm potencial de resiliência, os grupos sociais podem apresentar percentuais variados de resiliência. Os grupos que mantêm uma ordem social mais estabilizada, fortes em seus valores culturais e espirituais, têm maior probabilidade de conter indivíduos mais resilientes e ser, assim, mais resiliente como grupo. “Quando somos pessoas rasas, culturalmente, espiritualmente, pobres de relações sociais, pobres de afeto, estamos mais vulneráveis a qualquer tipo de perturbação”, ressalta Souza.

EXERCÍCIO DE PRONTIDÃO

Algumas pessoas podem ser resilientes por natureza, mas é possível exercitar o seu potencial de resiliência através da prontidão. Para isso é preciso praticar o autoconhecimento checando sempre seus limites e habilidades. Nesse exercício contínuo, é importante levar em consideração a complexidade do nosso entorno, o aleatório, o imprevisto, e outros fatores alheios a nossa vontade. O objetivo desta análise é estabelecer como somos no exercício do vir-a-ser. Leila Sanches dá a dica: “os resilientes valorizam as pequenas vitórias e vivem o tempo presente. A cada conquista tornam-se autoconfiantes, amadurecem e evoluem”. Angelita completa: “aprender, adaptar-se. Isso é ser resiliente. Em última instância, é dispor-se para a mudança.”
Para Leila, ser resiliente é um exercício que depende de vários fatores. Mas o principal é a vontade da própria pessoa. “É possível se tornar resiliente a cada dia, depende das nossas construções, obviamente que o meio muito nos influencia e também nos motiva. Mas não depende só do ambiente, e sim, muito mais da própria pessoa”, analisa.
Diante dos desafios da vida as pessoas acabam se tornando resilientes mesmo que não se apercebam disso. “Acredito que as situações adversas e diversas motivam as pessoas a ser resilientes. Conforme a superação dos desafios nos fortalece, ficamos cada vez mais resilientes frente àquelas situações”, observa. Mas, para fazer o exercício pleno da resiliência, as pessoas têm que entender quem são e o que querem. Ou seja, o autoconhecimento e o planejamento de vida são dois fatores que auxiliam, e muito, para que as pessoas possam ser cada vez mais resilientes. E, claro, a coragem também é fundamental, pois não se faz nada se cada um não acreditar em si próprio.

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