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Sempre é tempo de mudar

Sempre é tempo de mudar

Matéria publicada na SER Espírita impressa n.1

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Todo começo de ano nos enchemos de coragem para tentar, mais uma vez, mudar hábitos que sabemos não condizer com um estilo de vida que queremos alcançar. Parar de fumar, começar um regime, parar de beber, iniciar uma atividade física, ficar mais tempo com a família, mudar para um emprego mais gratificante…
Quase sempre, as opções de mudança são muito parecidas, ano após ano. Para que o plano dê certo é preciso mudar o foco. O Espiritismo mostra alguns caminhos para quem quer se manter firme em seus propósitos.
Para o autor do livro Artesão do Meu Futuro e professor do curso de Estratégia e Projetos Pessoais Paulo Rathunde, a mudança de foco é mesmo fundamental. Ele acredita em mudanças mais profundas, relacionadas a um estado de atenção permanente das atitudes, algo que ele chama de gestão pessoal.
“Um projeto ajuda a atingir um objetivo, mas quando ele é atingido o projeto acaba junto com a expectativa de atingi-lo. Minha abordagem tem procurado transcender a ideia de projeto pessoal ou projeto de vida para a ideia de gestão pessoal. A gestão não acaba, é permanente, construtiva e dá origem aos famosos projetos.” Segundo Rathunde, a virada do ano tem sua importância. “É um bom momento para revisar as estratégias da gestão pessoal. Quando falamos de gestão, falamos de propósito, valores, visão, pontos fortes, pontos fracos, objetivos e, por fim, projetos.
É o momento de se perguntar: “Meus valores são os mesmos do ano passado? Devo fazer alguma alteração? Qual é o meu propósito?” A professora de Literatura Espírita Gladiomar Saade encontrou nos livros que usa em suas aulas a base para promover as mudanças que considera necessárias. Ela aposta no autoconhecimento, que leva a pessoa a reconhecer suas principais qualidades – aliadas importantes na conquista de uma nova situação.
“Temos que ter consciência de que, na vida, a única coisa permanente é a mudança e nessa constância da mudança precisamos buscar nossas potencialidades”, insiste Gladiomar.

ORAI E VIGIAI
A prece é uma importante ferramenta porque, de acordo com a professora, também nos faz perceber nosso objetivo com mais clareza. “Através da prece nós nos revelamos, vamos gradualmente fazendo consciência do que somos e nesse momento, potencializamos de dentro para fora nossa coragem, nossa fé – nos iluminamos”, diz. Rathunde cita a atenção permanente como caminho para nos mantermos firmes em nossos propósitos.
“Com a vigília, passa-se a perceber quais sentimentos brotam a partir do que nos acontece.” Ele também ressalta que a pessoa precisa ter muita clareza em relação ao sentido que aquela mudança proposta tem para sua vida. “O propósito, é bom esclarecer, remete ao sentido da vida daquela pessoa. Conheço meus pontos fracos? Se a falta de persistência é um ponto fraco, devo trabalhar primeiro esta questão.” Ele destaca que, ao alterar um comportamento, estamos reformulando prioridades em nossas idas. “Alguns hábitos são adquiridos para que a pessoa receba reconhecimento em seu contexto social. Por exemplo, alguém que começa a fumar para ser bem aceito na roda de amigos.”
Assim, a pessoa que está em busca de uma mudança precisa ter coragem. O processo desencadeado quando se assume um compromisso provoca mudanças em diferentes setores da vida. “Não só o contexto pessoal deve ser considerado, mas também o social, o ambiental e – por que não? – o espiritual.
Qualquer mudança de comportamento afeta todo o contexto da pessoa nestes quatro aspectos”, lembra Rathunde. Gladiomar acrescenta a esse pensamento que “quando fazemos as escolhas pensando nas pessoas ao nosso redor alcançamos o sentido pleno da felicidade”. Ela enfatiza que é fundamental ter consciência do próprio potencial e das limitações. “É preciso que esteja muito claro o que queremos e se só depende de nós, ou do concurso de outrem. Feita essa consciência, é importante fazer sistematicamente avaliação da nossa capacidade, potencialidade, limitação, expectativa e determinação do que queremos atingir. Depois disso podemos dizer que nos autoconhecemos, para então promover a transformação consciente”, afirma. E lembra que quando se consegue essa transformação atingimos o patamar da realização. “É muito comum encontrarmos pessoas das mais variadas idades dizendo que não têm objetivos ou que não são felizes.
Para elas, responderíamos que os desafios e as provações fazem parte da nossa passagem terrena, e que para promover transformação é necessário ter muita coragem, força de vontade e autocrítica”.

PILARES DE SUSTENTAÇÃO
Valores são fundamentais nessa opção por novos caminhos porque, segundo Rathunde, “são os pilares que nos sustentam nas decisões mais difíceis.” O universo parece conspirar a favor quando fazemos uma escolha correta. Quem tem dificuldade em manter os valores que considera essenciais, certamente hesitará mais e terá menos assertividade para alcançar seus objetivos.
De acordo com Rathunde, “quem não tem seus valores muito claros, acaba cedendo às pressões do dia-a-dia e à dinâmica de um cotidiano sem significação, de atividades mecânicas e repetitivas. Os valores nos orientam em nossas escolhas e são essas escolhas que nos abrem caminhos em uma ou outra direção, uma direção sobre a qual muitas vezes não temos clareza.”
Ele cita o sociólogo francês Edgar Morin, que trabalha com o conceito de ‘ecologia da ação’, “quando nossas ações se desdobram por caminhos imprevistos, até mesmo contrários ao que se esperava”, afirma Rathunde. A expectativa por resultados pode gerar frustração. O foco em propósito e valores fortalece o ser e propicia uma caminhada mais segura.

EM BUSCA DA FELICIDADE
Há algo importante que não pode ser esquecido na jornada que levará a uma nova situação. A felicidade não pode estar atrelada a conquistas externas – casa nova, carro, dinheiro, reconhecimento pelos outros – que são coisas perecíveis e incertas. Ela precisa ser alcançada pelo reconhecimento das qualidades conquistadas e trabalhadas por cada um. “Talvez o mais importante seja a autoaceitação. Somos o que somos, apenas somos. Muitas pessoas aportam a felicidade nos resultados de seus projetos. Daí a origem das frustrações e de muita angústia. A felicidade está relacionada a um profundo reconhecimento de quem somos”, explica Rathunde.
Quem está cheio de bons propósitos precisa só arregaçar as mangas e trabalhar, partir para a ação. O processo de mudança é despertado pela vontade, que se torna projeto e finalmente ação. Em suas mensagens psicografadas ou psicofonadas, o espírito Antônio Grimm (um dos espíritos orientadores da SER Espírita) diz que, ‘quem não age não é’. “As ações são importantes, os objetivos e projetos também, mas devem estar apoiados por algo que lhes dê sentido, como propósito e valores, por exemplo”, finaliza.

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