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Sou médium? Como posso me desenvolver para ajudar outras pessoas?

Um amigo meu recorre de tempos em tempos procurando auxílio espiritual. E hoje procurei uma pessoa que se diz médium. Ela disse coisas a meu respeito que fizeram muito sentido, inclusive afirmou duas vezes que eu sou médium. Não sei se foi colocado exatamente dessa maneira, mas a mensagem é que eu teria a capacidade de ser um. Então, como posso me aprofundar nesse assunto e, como posso – caso seja confirmada essa afirmação – me desenvolver para tentar ajudar outras pessoas? Desde já agradeço a atenção.

 

Sua pergunta também representa o que muitas outras pessoas buscam saber: sou médium? O que significa ser médium? Procuraremos então, com base no que temos estudado, esclarecer suas dúvidas.

Segundo nossos estudos e os esclarecimentos dos espíritos orientadores de nossa organização (Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE) todas as pessoas são médiuns. Explicando melhor: no entendimento da Doutrina Espírita, todos nós somos espíritos (seres naturais do ambiente espiritual, que chamamos de polissistema espiritual). Durante o nosso processo evolutivo passamos diversas oportunidade reencarnatórias no ambiente material, no planeta Terra (que chamamos de polissistema material). No momento estamos vivendo uma dessas experiências encarnatórias.

A mediunidade é entendida como a capacidade de estabelecer comunicação com o ambiente espiritual, que é nosso ambiente de origem. O termo “médium” também pode ser entendido como “intermediário”, “intermediador”, “mediador”, Como espíritos, estamos o tempo todo em comunicação com o nosso ambiente de origem (polissistema cultural espiritual). Desta forma, estamos constantemente sendo agentes de troca de informações de um ambiente para outro.Mas, como essa troca acontece? Como nos comunicamos? No polissistema cultural espiritual, estamos em contato constante através do que pensamos, que é reflexo direto do que somos (nossos valores, nossas prioridades). Ou seja, não há como não estar em contato com o ambiente espiritual, e esse contato é sempre através do que pensamos.

Por outro lado, estamos sempre inseridos no ambiente cultural quando encarnados. Estamos em nossa casa, na rua, dirigindo ou caminhando, na empresa, no governo, no clube, na praia, na cidade, etc. Estamos agindo, e assim ajudando a construir o contexto cultural da Terra. E como funciona essa “intermediação”? O que fazemos, então? Quando você assiste a uma peça de teatro com um enredo construtivo, elevado, por exemplo, seus pensamentos são bons. Você lembra do valor da vida das pessoas, da igualdade entre elas. Esses pensamentos representam sua contribuição ao polissistema cultural espiritual. Ao fazer isso, que chamamos de sintonia (igual à sintonia de rádio mesmo, você sintoniza uma programação: música tranquila, música agitada, futebol, notícias, etc.), você passa a receber impressões  “semelhantes” ao que está pensando. Se você está pensando coisas boas, essa sensação boa é reforçada, você vai alcançando outras ideias boas. E por estar se sentindo bem, reforça sua impressão positiva sobre a peça de teatro que está assistindo, reforça sua capacidade de ser paciente, compreensivo, construtivamente crítico e assim por diante.

Mas por outro lado, se você vai a uma ambiente não construtivo aqui na Terra (muitas vezes um estádio de futebol em um jogo de intensa rivalidade, um local onde o propósito é consumir bebida alcoólica), acaba tendo pensamentos não-construtivos. Pouca paciência, ausência de compreensão, o distanciamento do próximo. Tudo isso representa o que você está sendo naquele momento (o que você está pensando). E da mesma forma como antes, essas impressões serão sua contribuição (não-construtiva neste caso) ao polissistema cultural espiritual. Novamente por sintonia, seus pensamentos serão reforçados, só que neste momento na direção não-construtiva. Você acaba ficando “pior”, no sentido de que seus pensamentos vão alcançando outras coisas não-construtivas, como raiva das pessoas, mais impaciência. Por isso é que encontramos no Evangelho Segundo o Espiritismo a orientação para “orar e vigiar”, o que significa manter-se em contato constante (televisão, leitura, ambientes, trabalho, atitudes diversas, pensamentos) com situações que dizemos “elevadas”, que valorizem a pessoa e a vida.

Então a condição do médium é inerente a cada pessoa que vive na Terra, em todos os países, em todas as épocas passadas, presente e futuras. Essa condição de ser intermediário o tempo todo é uma grande oportunidade de , ao se manter em “sintonia” com conteúdos construtivos, ajudar a construir um mundo melhor. Sabemos que esta construção não é no curto prazo. Note que hoje desfrutamos de benefícios da ciência, tecnologia, medicina, que foram construídos ao longo das décadas, senão séculos, por outros espíritos que encarnaram antes de nós e nos deixaram um legado que faz nossa vida melhor. A conduta construtiva é algo, acima de tudo, para construir um mundo melhor, o que nos faz a todos mais felizes.

Mas também existem médiuns ditos “pontuais”. São espíritos com a faculdade mediúnica desenvolvida a ponto de poder atuar como “veículo” de comunicação com espíritos (irmãos e iguais a nós) que estão desencarnados. Observação: chamamos de espírito desencarnado quem não está vivendo na Terra. Quando nosso corpo falecer, seremos espíritos desencarnados. Para o Espiritismo não há fantasmas… somos todos sempre espíritos, ora encarnados, ora desencarnados.

Voltando aos médiuns pontuais: é importante esclarecer que o médium é “o espírito”, não o corpo. Cada um de nós é um espírito e está usando um corpo material para poder estar na Terra. Dizemos que “o espírito é o ator e o portador da cultura”.  E o processo mediúnico, no caso dos médiuns pontuais, como Chico Xavier, por exemplo, ocorre sempre pela soma de conhecimentos do espírito que está encarnado e do espírito manifestante (espírito desencarnado que nos apresenta uma mensagem). É sempre uma soma, nunca acontece se não há consentimento e concordância de ambos os espíritos (encarnado e desencarnado). Este processo também exige intenso preparo de ambos: renúncia, conteúdo, conhecimento prévio mútuo. Se não houver tudo isso não há produção de mensagem mediúnica. E com todos esses requisitos podemos afirmar que a mensagem mediúnica sempre será respeitosa e construtiva. Nunca será uma mensagem que possa significar qualquer tipo de agressão à pessoa, à vida, ou gerar constrangimentos às pessoas. Qualquer mensagem diferente disso não é uma mensagem mediúnica; é tão-somente, um conteúdo da própria pessoa encarnada.

E como preparar-se melhor? Já que somos intermediários permanentemente, o que ocorre através  de nossas ações e pensamentos (logo, por nossas escolhas), devemos estar capacitados para fazer, a cada dia, escolhas melhores. Então sugere-se o estudo: da filosofia, da sociologia, da educação, da política, da economia, da ciência, das religiões. Com isso, que pode ser feito através da leitura, de cursos, diálogos etc, estamos aprendendo sobre nós e sobre a vida, assim nos capacitando para este papel contínuo de intermediação e construção.

O processo mediúnico pontual, a exemplo do Chico Xavier, ocorrerá naturalmente quando for oportuno, podendo ser nesta vida, em vidas futuras, ou até não se mostrar necessário. O importante é estar preparado para, mesmo sem a mediunidade desenvolvida a este ponto, atuar cotidianamente na construção de um mundo melhor.

Alguns referenciais sobre o Espiritismo:

– Para a Doutrina dos Espíritos, Deus é a causa primária de tudo, e Ele é justo e bom. Não estendemos Deus como sendo uma pessoa, mas a inteligência suprema. Assim, tudo é justo. Não há injustiça.

– O homem é um espírito, livre e imortal. Aprenderá para sempre, ao longo de sua existência.

– O homem é um ser espiritual.

– Todas as pessoas são iguais; as circunstâncias de sexo (Homem, Mulher) e situação material são contingenciais e temporárias da vida na Terra.

Sugerimos a leitura das obras básicas sobre o Espiritismo (de Allan Kardec), de textos constantes no site www.sbee.org.br.  Também sugerimos ler os conteúdos do site da revista SER Espírita (www.serespírita.com.br), além dos conteúdos das edições impressas. As edições 3 e 4 trazem textos de esclarecimentos sobre o Espiritismo e a mediunidade.

Agradecemos seu contato e esperamos ter contribuído para seus estudos e autoconhecimento.

 

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