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SUSTENTABILIDADE – Cuidar do planeta é um dever de todos

SUSTENTABILIDADE – Cuidar do planeta é um dever de todos

Cuidar do planeta é um dever de todos. E um ato de amor para com as próximas gerações

Por Anna Paula Michels – publicado na SER Espírita impressa n.8

Separar o lixo reciclável do não reciclável. Fechar a torneira enquanto se escova os dentes. Não demorar no banho e desligar o chuveiro enquanto se ensaboa. Utilizar o transporte público para ir ao trabalho ou à faculdade. Dar preferência às sacolas de pano ou lona para fazer compras. Esses são apenas alguns dos exemplos de ações que buscam a sustentabilidade, que nada mais é do que a tentativa de prover o melhor para todas as pessoas, mas de tal maneira que esse “melhor” não interfira negativamente no futuro (não apenas no meio ambiente, como muitos acreditam, mas em diversas áreas).
Mas será que o conceito e a importância de se ter uma vida sustentável, com atitudes que preservem o meio ambiente, são realmente entendidos? Será que todos sabem que a sustentabilidade depende de cada um?
“Não, ainda não”, responde o sociólogo, consultor e gestor ambiental, Airton Laufer Junior. Ele explica que, apesar de o tema já ter sido fortemente discutido no mundo todo, a maior parte das pessoas ainda tem dificuldade para entendê-lo. “A sociedade civil ainda não compreendeu o que é realmente vida sustentável na Terra. Uma sociedade sustentável é aquela que é capaz de satisfazer suas necessidades sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras”, defende Laufer. E este não parece ser o cenário dos dias de hoje, no qual o consumo desenfreado norteia a vida da maioria das pessoas. “Particularmente porque, para satisfazer as necessidades humanas, como alimentação, vestuário, moradia, transporte, lazer, entre outras, são consumidos recursos naturais finitos não-renováveis retirados da natureza sem qualquer preocupação com a manutenção do equilíbrio entre o patrimônio natural e cultural, sem respeitar os ecossistemas”, analisa.
Um dos aspectos que contribuem para esta compreensão errônea ou incompleta é a demora em perceber a sustentabilidade como dever de todos. “Só mais recentemente, talvez da década de 80 para cá, governos de diversos países começaram a encarar o desafio da sustentabilidade como tarefa e responsabilidade de todos os povos”, avalia.
Ele aponta que essa tarefa não deve ser cobrada apenas dos governos e sim de cada cidadão, pois ações individuais podem ser multiplicadas e transferidas de forma a criar uma rede que terá impacto, como os grandes movimentos ambientalistas, por exemplo. “Há uma tendência em delegarmos as responsabilidades pela proteção da natureza e da cultura aos governos constituídos, às instituições de proteção e preservação, aos organismos internacionais de defesa dos recursos naturais, sem assumir verdadeiramente o papel que nos cabe de manter o equilíbrio e a sustentabilidade do mundo”, pondera. E acrescenta que pequenos atos individuais são importantes, pois afetam o psicossocial do indivíduo e do grupo. “Modificando o padrão de mentalidade e de comportamento da atual e futuras gerações”, observa.
O engenheiro civil Paulo Henrique Rathunde, que desenvolve trabalhos com o meio ambiente, também acredita na influência de ações individuais. Ele lembra que somos seres sociais por natureza, portanto, as redes já estão criadas. E é exatamente pela influência individual que exercemos sobre essas redes das quais participamos que podemos promover as transformações desejadas. “Adquirindo conhecimento, podemos compartilhá-lo. Mudando atitudes, mostramos a força de nossas convicções. Mudando comportamentos, damos exemplo de como fazer diferente”, diz Rathunde.
Em relação ao entendimento de sustentabilidade por parte da sociedade, o engenheiro analisa que as várias reflexões sobre o assunto favorecem a construção de uma consciência planetária, mas o termo ainda está longe de ter uma compreensão única. Ele explica que seria necessário que cada um de nós desenvolvesse um sentido de comunidade, todos consumindo e demandando mais e mais produtos que precisam ser produzidos, transportados e entregues. Produtos esses que demandam recursos oriundos da natureza (plantas, animais e minerais.
Rathunde explica ainda que o problema não está no consumo em si, já que faz parte da natureza humana. Mas sim quando o consumo desses recursos é tamanho que a natureza não consegue repô-los e é gerado um excesso de resíduos, tornando-os superiores à capacidade natural de degradação. “É uma questão de matemática simples: se usamos mais do que a natureza pode repor, um dia o sistema entrará em colapso. E enquanto os recursos naturais se esgotam, o equilíbrio da vida e a biodiversidade ficam comprometidos, colocando em risco a sobrevivência do próprio homem”, demonstra.

SUSTENTABILIDADE E ESPIRITISMO
Na busca de uma vida sustentável, é preciso ter consciência da importância de deixar um mundo melhor para as gerações futuras. Desta forma, a sustentabilidade é um grande exemplo de amor e respeito à vida, ao próximo, pois passa pela valorização do ser humano e da visão sistêmica da vida.
O presidente do Instituto Arayara de Educação para a Sustentabilidade, o engenheiro civil, Eduardo Manoel Araujo, acredita que sustentabilidade e Espiritismo têm relações profundas. “Procurar uma vida sustentável e a preservação do meio ambiente é uma questão de respeito à vida e ao Creador em primeiro lugar. É também uma questão de coerência com o fato de sermos seres espirituais em processo de aprendizagem no plano material”, avalia. Araujo lembra que todos têm que saber usar com sabedoria a escola que é o planeta Terra, o seu conjunto de espécies e o ambiente que nos acolhe. Araujo comenta que a sustentabilidade é a prática do amor em sua plenitude, “um amor que abrange todas as pessoas, todas as espécies e a creação divina. Ela mostra a relação e a interdependência entre todas as coisas”.
Allan Kardec, na obra A Gênese, lembra que “tudo no Universo se liga, tudo se encadeia; tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade, até a mais pura espiritualidade”.
Araujo reflete ainda que, por meio da sustentabilidade, compreende-se que a diversidade e o aprendizado são inerentes à vida. “É simplesmente o respeito, a solidariedade, a cooperação e a empatia entre indivíduos de uma mesma espécie, entre espécies e entre gerações. A força da vida está na diversidade (tanto de indivíduos quanto de espécies), que é um dos grandes segredos da sustentabilidade”, diz.
Ele também defende a preocupação que se deve ter com a influência que atos e pensamentos podem gerar na sociedade. “A energia do planeta, a sua atmosfera psíquica, é a soma de nossas energias individuais, de nossos padrões vibratórios. E a qualidade desta energia determina a qualidade de nossas atitudes e a qualidade do planeta”, atenta. Araujo acredita que esta atitude individual corajosa está nas mãos de cada indivíduo, e ela tem a força e a energia dos exemplos que fazem vibrar as pessoas. “Nós, espíritos, nossa mente, nosso coração e nossas atitudes, estão alinhados, em paz e mostrando uma harmônica coerência”, finaliza Araujo.

CONHECIMENTO E MUDANÇA DE COMPORTAMENTO
Na maioria das situações do cotidiano, senão em todas, é fácil perceber que para realmente se alterar uma realidade são necessários, primeiro, conhecimento e, depois, ação. E para modificar o cenário atual da sustentabilidade no planeta não seria diferente. “A atitude mais concreta é rever nossos padrões de consumo e nossas escolhas de uso do tempo no sentido de reduzir a demanda por coisas materiais e aumentar a demanda por conhecimento e autodesenvolvimento”, expõe Araujo. Ele lembra da ética e dos ensinamentos crísticos, que são fundamentais. “A ética é o que orienta nossas escolhas e está expressa por Jesus no ‘Amai-vos e instruí-vos’. É um compromisso permanente com a amorosidade de um lado e o aprendizado e a verdade do outro”.
Para Laufer, modificar começa no aprender a pensar, refletir, agindo para o bem comum, para a sustentabilidade social, política, econômica, cultural e ambiental. E quando se dá atenção aos valores de família, aos ensinamentos adquiridos nos bancos escolares, ao exemplo dos mais velhos, aos fundamentos filosóficos, religiosos e científicos, compõe-se a base da mudança de mentalidade e de comportamentos em sociedade.
Rathunde lembra que somos seres em permanente transformação e, como dizem os espíritos, mudamos pelo amor ou pela dor. “Mudar modelos mentais exige coragem e autodisciplina. E pelo exercício do livre-arbítrio podemos escolher buscar as informações necessárias, adotar um novo modelo mental e mudar atitudes”.

DICAS PRÁTICAS PARA UMA VIDA SUSTENTÁVEL
– Casas podem ser construídas ou reformadas para aproveitar a água da chuva e o calor do sol.
– Ao invés de impermeabilizar o quintal com calçadas, o melhor é deixar a água penetrar no solo para que ela alimente os lençóis freáticos, ao mesmo tempo em que reduz inundações.
– A escolha do combustível pode ser orientada pelo menor potencial de emissão de gases de efeito estufa.
– Ao escolher um produto, verificar a procedência. Preferir produtos de empresas que apresentam compromissos com a responsabilidade social ou produtos certificados. Dar preferência àqueles produzidos no local ou na região.
– Na moradia, utilizar o menor espaço possível, realizar o aquecimento de água solar, a reutilização de águas servidas.
– Na alimentação, buscar um estilo menos impactante de se alimentar, cultivar hortas e medicinais, fazer compostagem dos resíduos orgânicos.
– Compreender a distância que os alimentos viajam, sua forma de produção sempre que possível e a quantidade e energia necessária para produzi-los.
– No consumo em geral, incluindo vestuário e alimentação, buscar a moderação, a real necessidade, a máxima utilização dos produtos, consertar sempre que possível, aumentando a sua vida útil.
– No transporte, analisar principalmente as questões do espaço e da energia necessários. Qual a distância de minha moradia ao serviço, à escola, aos pontos de suprimento? Posso ir a pé, de bicicleta, de transporte público, de van, de carona, de moto, de carro econômico.
– Lembrar do conceito da “pegada ecológica” – analisar a quantidade de área de terra e água necessária para produzir o que o nosso estilo de vida demanda.
Fontes: Paulo Rathunde e Eduardo Araujo

 

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