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Terrorismo, desastres, intolerância: de onde vem tanto mal?

Terrorismo, desastres, intolerância: de onde vem tanto mal?

Por Ana Elisa Oliveira e Redação SER Espírita
Os últimos acontecimentos nos remetem a uma reflexão de porque muitas pessoas sofrem mais do que as outras, e como outras tantas podem fazer tanto mal. No Brasil, o mar de lama que inundou Mariana e municípios próximos, em Minas Gerais (e também já chegou a algumas praias do Espírito Santo), matou memórias de vilarejos e pequenas cidades, e percorre o rio Doce, levando embora fauna e flora diversas.
O ocorrido ainda não foi totalmente investigado, mas é inegável que haja a mão do homem em tão grande desastre. Na Europa, se vê atos terríveis como em Paris, na França, em que o horror tomou conta das ruas, dilacerando vidas muitas vezes inocentes, em nome de um orgulho religioso. Grande choque também se deu com a criança morta achada na orla da Turquia, em agosto deste ano. De origem síria, ela fugia do país em guerra civil, e sua família não recebeu asilo para se instalar no Canadá.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no item 8 do capítulo XVI, é citado que “a origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade”. O egoísmo e o orgulho são contrários à humildade, uma das maiores virtudes do espírito elevado. Dessa forma, podemos entender que o mal é nada mais que a ausência de entendimento e sensibilidade, ou seja, a ignorância.
O estudioso da Doutrina Espírita João Bosco de Souza, auditor fiscal aposentado e tarefeiro do Centro Espírita Frei Leopoldo, em Belo Horizonte, explica que os espíritos superiores consideram que o mal em si não existe, mas que é apenas a ausência do bem. “Ora, o homem foi criado por Deus para viver em sociedade, para que ele, com seu trabalho, pudesse contribuir para o bem comum. Verificamos que, sozinhos, não conseguiríamos usufruir de todos esses benefícios. Por isso, temos que também participar com nossa contribuição para o todo. Se apenas almejarmos obter para nós muito além do necessário, o que implica em carência e prejuízo para outras pessoas, e com isso alimentar nosso egoísmo e orgulho, geraremos as tensões e conflitos de toda ordem, os quais chamamos de mal”, analisa Souza.

OPORTUNIDADE DE EVOLUÇÃO
A vivência sofredora é, na grande maioria das vezes, oportunidade de elevação espiritual para aqueles que escolheram, por livre-arbítrio, atuar no sofrimento de outros. No livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, o autor Léon Denis discorre sobre a difícil, mas necessária jornada de lapidação do espírito. ”Cumpre que haja o sofrimento físico e a angústia moral para que o espírito seja depurado, limpe-se das partículas grosseiras, para que a débil centelha, que se está elaborando nas profundezas da inconsciência, se converta em chama pura e ardente, em consciência radiosa, centro de vontade, energia e virtude. Verdadeiramente só se conhecem, saboreiam e apreciam os bens que se adquirem à própria custa, lentamente, penosamente”.
Mas a providência divina já nos mostra, há milhares de anos, que a melhor forma de se combater o mal é agindo no bem. Muitos espíritos elevados foram enviados a Terra com o objetivo de liderar mudanças de comportamentos para a pacificação da humanidade. “Todos eles trouxeram no bojo de seus ensinamentos o desprendimento das coisas materiais e o bem ao semelhante, como a mola mestre para o homem impulsionar o seu desenvolvimento moral e social”, explica João Bosco. Léon Denis concorda quando cita que, depois de atingir a elevação, os espíritos superiores se vêem livres com a conquista da percepção perfeita da ciência, da energia e do amor.
Segundo o autor, esses verdadeiros anjos pensam: “Mas o que granjeei quero repartir com meus irmãos, os homens, e para isso irei de novo viver entre eles, irei oferecer-lhes o que de melhor há em mim, retomarei um corpo de carne, descerei outra vez para junto daqueles que penam, que sofrem, que ignoram, para os ajudar, consolar e esclarecer.” Assim, passaram por nosso planeta grandes personagens do bem e de extrema inteligência, como LaoTsé e Confúcio na antiga China, Sócrates e Platão na Grécia, Siddharta Gautama (Buda), na Índia, e o maior de todos, Jesus, na Galileia.

TRANSIÇÃO
Alguns estudiosos, como o coordenador de grupos de estudos espíritas, Paulo Wedderhoff, acreditam que a ideia de transição é muito coerente, pois como afirma o espírito Antonio Grimm em psicofonia através do médium Maury R. da Cruz, “no universo, a única constante é a mudança”. Ocorre, contudo, que estas mudanças não se dão de um momento para o outro. “Nosso planeta tem registros históricos escritos de menos de 6 mil anos, ao passo que o registro de hominídeos tem evidências de ter mais de 3,6 milhões de anos”, afirma ele.
“Mesmo que nosso planeta pudesse passar para o grau de planeta de regeneração, ainda continuaremos a reencarnar para aplicar nosso conhecimento espiritual adquirido (provar a nós mesmos) e fatalmente encontraremos a cada encarne os efeitos das ações e omissões individuais e coletivas de nossas encarnações anteriores.”, comenta Paulo.
Segundo ele, para efetivar mudanças significativas, teremos antes que popularizar o conhecimento do ser humano sobre si mesmo. “Enquanto o Espiritismo não conseguir sucesso em revelar o ser a si mesmo, de modo que cada um conceba Deus, perceba Sua obra e tome consciência do verdadeiro sentido e significado da vida, o progresso continuará sendo forte na área científica e fraco na área espiritual”. As escolas continuarão colocando ênfase no materialismo e incentivando o egoísmo, garantido assim a perpetuação do plantio e colheita de provas e expiações.
Segundo o estudioso da Doutrina, para viabilizar a justiça de ‘dar a cada um o que é seu’, será necessário realizar a justiça anterior a esta, que é um princípio de responsabilidade e caridade, de oferecer a todos, oportunidades iguais de estudo, alimento e segurança.
“Se queremos encontrar um mundo melhor em nossa próxima encarnação, teremos que sair da zona de conforto e sensibilizar as pessoas para que se descubram e ajudem a construir um novo sistema e ensino garantido a todos durante toda a encarnação. Precisamos criar em cada bairro uma escola do espírito”. É chegada a hora de o Centro Espírita moderno alcançar o padrão de “Universidade Aberta ao Povo” e realizar sua verdadeira missão de iluminar os caminhos da humanidade terrena.
Em A Gênese, livro codificado por Allan Kardec, cita-se no capítulo XVIII: “para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso”.
João Bosco explica que, neste momento, há tantos conflitos em várias partes da Terra porque foi dada certa liberdade aos espíritos em condições evolutivas menores, e como consequência, a influência deles sobre a humanidade se tornou bem mais expressiva. “Há pessoas que sentem a influência desses espíritos e se deixam levar, praticando atos que infringem as leis de Deus, outras conseguem resistir, pois se alinham mais com o bem que com o mal”, afirma. O estudioso acrescenta que isso tudo faz parte de um plano divino, para o bem da humanidade.

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