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Um dia na eternidade

É curioso notarmos como um grande número de pessoas passa a maior parte do tempo se preocupando apenas com questões comezinhas e ligadas exclusivamente à sua vida material, sem nunca realizar nenhum tipo de indagação mais profunda, tais como: quem sou? De onde vim? Para onde vou? Qual o sentido da vida?

Vivem apenas o aqui e o agora, confundindo a presente encarnação com a integralidade de suas existências, sem se aperceber que absolutamente tudo o que é da matéria é transitório, mas que nossa existência não se extingue com a morte do corpo físico.

Muitos deles somente se atentarão para uma realidade muito mais ampla, complexa e coerente – a realidade espiritual – quando do acontecimento de algum evento traumático, como por exemplo o desencarne de algum ente querido. Nesses momentos de crise, por intermédio da dor, partem em busca de novas perspectivas como forma de se apaziguar.

O estudo do Espiritismo nos permite o despertar da consciência para essas sublimes verdades que em outros tempos foram simplesmente ignoradas, ou tiveram sua interpretação deturpada, como aconteceu – por exemplo – com a mensagem de Jesus, que com o passar dos séculos perderam muito de seu significado original em razão de posturas equivocadas impostas pelo poder temporal constituído.

Essa nova visão de mundo nos possibilita pouco a pouco enxergar a realidade de uma forma muito mais ampla, afastando a visão fragmentada e extremamente simplificadora que a maioria de nós tinha anteriormente.

Não cabe aqui analisarmos de forma pormenorizada todas as consequências que advém desta constatação (já que elas são muitas e jamais caberiam em um espaço assim tão reduzido). Gostaríamos, contudo, de ponderar um aspecto em especial. Vejamos:

Partindo do pressuposto de que somos – todos nós – espíritos, e que o nosso corpo físico é apenas um invólucro de que nos servimos ao longo de uma dada existência material para que possamos fazer o aprendizado necessário, é forçoso concluir que não fomos creados somente quando de nosso nascimento, e que não teremos fim quando do término da presente encarnação. Em verdade, cada um de nós já passou por incontáveis encarnações, e ainda passará por um sem número de outras, a fim de que possamos gradativamente nos burilar, sempre no sentido do progresso.

Nos dias de hoje, o tempo médio de uma encarnação já ultrapassa os 70 anos, podendo variar grandemente para mais ou para menos. Ao longo desse período, fazemos uma série de interações, conhecemos pessoas novas, aprendemos, acertamos, erramos, amamos, ganhamos e perdemos, …, enfim, vivemos. Contudo, é certo que em algum momento todos nós vamos desencarnar, e que deixaremos imensa saudade aos que permanecerem encarnados, em virtude dos laços fraternos construídos.

É extremamente reconfortante termos a absoluta certeza de que nada daquilo que foi construído ao longo de uma encarnação se perde em seu final. Não deixaremos de ser quem somos ou de saber aquilo que já apreendemos. Pelo contrário, as novas experiências apenas se somarão às pretéritas na constituição do nosso Ser.

Quando desencarnados – ou seja, quando no polissistema cultural espiritual – até mesmo a nossa perspectiva sobre a dinâmica do tempo se altera, eis que deixamos de ter como referencial esse período médio de uma encarnação, para ter como referencial algo muito, muito mais amplo (e que para nós encarnados é de difícil compreensão): a eternidade.

Tendo como base um panorama assim tão amplo, todos os nossos aparentes problemas tornam-se ínfimos. Nossas angústias, nossas tristezas, nossas dificuldades, tudo isso se esboroa e deixa de ter um peso tão grande em nosso dia-a-dia. Afinal, o que representa o tempo de uma encarnação aos olhos da eternidade?

Certa feita, o espírito Leocádio José Correia, em psicofonia realizada através do médium Maury Rodrigues da Cruz, nos trouxe uma interessante comparação em resposta a tal questão, ao nos dizer que se adotarmos essa perspectiva mais ampla, aos olhos da eternidade toda a nossa encarnação representaria quando muito o equivalente a um dia. Quiçá um dia cheio, mas apenas um dia.

Ao nos apercebermos de que toda a nossa encarnação – por mais longa que seja – representaria somente um dia no panorama da eternidade, certamente só nos resta um caminho: fazer com que esse dia seja o mais proveitoso possível e que possamos utilizá-lo para a prática do bem tanto quanto seja possível.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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